Gerente do Inter revela visão de mercado por trás do desenvolvimento do clube
O sentimento do torcedor de futebol vale cada vez mais dinheiro. Em contrapartida, sustentar essa paixão custará mais caro e garantirá mais vantagens. Essa é a opinião do diretor executivo de marketing do Internacional, Jorge Avancini, revelada em entrevista coletiva concedida aos alunos da disciplina de Jornalismo Especializado da PUCRS.
Em 2002, ano em que o clube quase caiu para a Série B do Campeonato Brasileiro, a direção do Inter elaborou um planejamento estratégico que visava uma reformulação do clube até o seu centenário, em 2009. Um dos principais problemas identificados foi que há 23 anos não conquistava um grande título. Para Avancini, o resultado do jejum era claro: “não formávamos novos consumidores”. Desde então, um intenso processo de profissionalização da gestão produziu resultados dentro e fora de campo.
Hoje, o Inter possui mais de 100 mil sócios, que geram uma receita mensal estável que chega perto dos R$4 milhões. A expectativa de arrecadação até o final do ano é de R$200 milhões. Seu estádio, o Beira Rio, está em reforma para sediar a Copa de 2014. A marca do clube está entre as 50 mais valiosas do futebol mundial. Para completar, na última década o Internacional conquistou seus três maiores títulos: duas Libertadores e um Mundial.
Por trás da reconstrução do clube está uma visão de mercado. Avancini, um dos sete gerentes remunerados do Inter, acredita que está em curso uma mudança cultural na relação do brasileiro com o futebol. Se antigamente o esporte estava associado apenas à paixão, hoje deve ser visto como um evento de entretenimento, assim como o teatro e o cinema. Para isso, segundo o gerente, os promotores do espetáculo precisam desenvolver uma estrutura atraente ao espectador. E isso inclui um time competitivo.
Essa modificação, porém, resultará na restrição do público. “Quem não tem dinheiro vai ter que assistir os jogos em casa”, diz Avancini. Para defender a elitização, ele cita inclusive problemas de segurança que supostamente seriam evitados com o preço do ingresso inacessível às classes C e D.
Na sua opinião, o processo é inevitável devido ao nível de exigência de quem frequenta as partidas. “Para ter um bom estacionamento, um lugar confortável e um time competitivo precisa-se gastar mais”. A ideia do Internacional, inclusive, é aumentar o valor médio que o torcedor gasta com produtos adicionais a cada jogo. Desde o lanche do intervalo da partida até a venda de bonés com a marca do clube serão explorados.

